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terça-feira, maio 22, 2007

TEXTO

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Vou contar uma historia, para que outras sejam lidas e entendidas...

Belo Horizonte, ano 1958, ou talvez 1959.
Eu estudava naquela época no Grupo Escolar de Demonstração do Instituto de Educação, e estava na sala da prof. que era considerada a melhor de todas.
Diziam que os alunos da Dª. Elisa de Oliveira eram os de “QI” mais altos do estado.
Eram tempos de grandes mudanças na educação, na pedagogia, na psicologia.
Fazíamos testes em um lugar chamado “SOSP” – serviço de orientação sócio-psicológico, e lá eles informavam o tamanho da inteligência de cada aluno.
E disseram que meu QI era muito alto, e minha inteligencia grande...( este foi um trauma que carreguei a vida inteira, porque minha mãe acreditou piamente que eu era inteligente!)

Naquele ano, eles haviam selecionado várias crianças, e formaram uma turma de chamada turma de Especial, a elite do colégio, e que era comandada por dona Elisa, a fera!
Naquela época, como agora, eu pouco sabia sobre QI, mas sabia que dona Elisa era muito brava e orgulhosa de sua turma.
Meados do mês de março, do ano que não me recordo, Grupo Escolar de Demonstração do Instituto de Educação, sala da dona Elisa, ao lado do quadro negro, um cavalete com um cartaz enorme onde se lia:
-Era uma vez...
Era uma vez....
Três porquinhos.
De repente...a porta se abre e adentra a diretora do grupo, trazendo pela mão uma menina de grandes olhos negros, mas com um olhar assustado, franjinha na testa, e uma merendeira de couro marrom.
Recordo-me que a merendeira chamou a minha atenção.
(Eu já tinha sonhos de consumo naquela época!)
A menina foi-nos apresentada como uma nova colega.
Foi um escândalo!
Dona Elisa, não havia sido comunicada que teria uma nova aluna, e achou tal atitude um desacato, e a plenos pulmões expressou sua ira:
– na minha sala NÃO!!
Não admito aluna transferida por proteção!!!
Bate boca prolongado, venceu a diretora, e Marisa entrou na sala e na minha vida com o seguinte karma:
- dona Elisa proibiu a todos de dirigirem a palavra a ela, e a colocou na última carteira.
Bom, vocês já me conhecem um pouco para saberem que respeitar normas e regras nunca foi a minha praia!
Claro que dei um jeitinho de antes do recreio, fazer chegar ás mãos da pobre criança um bilhete que dizia:
- Vou conversar com você.,...eu sou Marilia, aquela de óculos gatinho branco...
Ela nunca mais esqueceu aquele momento.
Conta para o mundo, e me deixa sem graça!
A gente conversa até hoje.
A gente se uniu em pacto de amizade naquela tarde, pacto de sangue em outros momentos mágicos de uma adolescência bem vivida...
Marisa Maia Drumond, minha amiga, mangueirense de carteirinha, doutora em odontologia, escritora, atleticana roxa, minha parceira, mãe de Frederico, Renata e de Flávia, avó da Maia, da Helena e da Beatriz, amor e amada do Cristovan...
Foi para ela a festa de sábado.

Infância em BH /( parte capitulo VII)

Um comentário:

kika disse...

IDI, voce e de uma cultura inenarravel...(gostou do portugues?)