
Depois que recebi um e-mail, há uma semana de uma leitora que se identificou como uma mulher de 50 anos, separada e ativa , e sem coragem de transar / me contou a história dela/ fiquei pensando se deveria falar sobre os assuntos solicitados ( vide post semana passada).
Então me lembrei desse meu texto, 'meio' erótico, meio confessional, escrito ano passado. Porém, cautelosa que ando....troquei umas ideias com uma amigona virtual, que me deu maior apoio, achando que era bom o texto, e que deveria sim, ser publicado! Vou publicar mesmo tendo pintado uma duvidazinha ao ler ontem a crônica no blog da Cora Ronai, onde me surprendi com a frase dela : "Serão as garotas mais exibicionistas e os rapazes por natureza voyeurs? "
TEXTO
Era uma sexta feira, mês de agosto.
Não estava em frio, apenas corria uma chuva fina, e ventava de leve.
Ela havia prolongado seu tempo dentro do escritório ao máximo.
Oito da noite. Não podia mais ficar.
Todos os prazos findos, nenhum processo na mesa.
Era seu fim de semana sem a filha.
Era o terceiro fim de semana que ficaria sózinha.
Havia terminado tudo com ele.
Verdade verdadeira: - ela estava sózinha.
Subindo a Avenida Bias Fortes, mesmo sob uma chuvinha fina, deu para perceber o letreiro luminoso, SEXUX...
Via sempre a loja, foi a primeira vez que parou e entrou.
Sentiu uma tensão, sua voz demorou a sair de dentro da garganta.
A vendedora entendeu. Estava acostumada com a reação de mulheres.
Rápida, ela me conduziu ao balcão dos vibradores.
Eram pênis de todos os tipos e tamanhos, falos pitorescos, bizarros.
Custava caro o qu’eu escolhi, mas pelo que a moça me explicou, era prazer total....
Virava, mexia, crescia, enfim, era um perfeito pênis de borracha, especial, textura única.
Era realmente o mais interessante.
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De volta ao seu carro, ela riu baixinho, um pouco mais relaxada...
Uma de suas manias sempre foi comprar calcinhas.
Seu fetiche. Brancas. Comprava todas...
Ela gostava de transar nua, vestida com as calcinhas.
De algodão, de renda, transparentes.
Calcinhas brancas, vodka, gelo, e um pênis de todo tamanho!
Hoje, a noite seria dela...prazer total, a moça havia dito.
Prazer que havia comprado.
A casa silenciosa, estava com o cheiro de sempre.
Incenso de canela. Abriu as janelas, ligou o som.
Começou com a Billie ...sabia que ia terminar com Chet Baker...
Encaminhou-se para o quarto, pacote “com o vibrador modelo pênis autêntico” na mão.
Colocou - em cima da cama.
Não sabia por onde começar.
Resolver fazer gênero.
Tirou lentamente a roupa, foi deixando pelo quarto.
Abriu o chuveiro. Tomou uma ducha. Devagar.
Iniciou seu toque passando o sabonete pelo corpo.
A pele bronzeada, mesmo sendo o mês de agosto, era outra característica sua.
Gostava de ter marcas, achava seus seios mais bonitos, ressaltados pelo contorno do biquine. Levou a mão junto a seu sexo.
Bom....Fez outra vez, com mais fôrça.
Quis se ver. Saiu molhada da ducha, limpou o espelho embaçado pelo vapor.
Arrepiou, estava frio, chovia lá fora.
Sentada em cima da pia, afastava com as mãos os lábios do seu sexo.
Sentiu prazer em olhar no espelho enquanto se masturbava.
Adorava a idéia de que ainda não tinha cabelos brancos ali.
Gostava dos seus pelos.
Depilava muito pouco, somente em volta.
Seus pelos são macios, doces...
Riu lembrando-se que sempre lhe falavam isso.
Ficou lá, se olhando, se masturbando de leve, água escorrendo pelo corpo, sem sentir frio.
Seria tudo feito com muita calma.
Ela já estava excitada, quando foi passar o creme.
Escolheu um com cheiro de lavanda...
Ao passar pelo corpo, sentiu o bico dos seios endurecidos.
A vagina aos poucos iniciou um movimento de contração e descontração.
Ela fazia isso bem, seus homens assustavam quando tinham os membros comprimidos, apertavam seu corpo, de tanto tesão....
Saiu andando pela casa.
Nua, de calcinhas.
Calcinhas brancas, corpo preparado.
Era bom andar pela casa assim.
Desprotegida.
O pacote, lá, aberto.
O pênis, objeto do desejo?
Deveria ser ela... Contradição da solidão.
Pegou um copo, gelo, vodka pura.
I love my man, a Billie cantava....
Onde seria? Como?
Andando, ia de um cômodo para outro, copo em uma mão, as vezes o espremia contra os seios, enquanto a outra passeava pelo seu corpo.
Dentro e fora. Lambia seus dedos após colocá-los, enfiar mesmo, dentro de si.
Adorava o incômodo da calcinha, meio de lado, machucando.
Seu fetiche.
Parou na sala. A janela, com vista ampla estava com as cortinas abertas.
Já passava das dez da noite, quem quisesse ver teria que estar também atendo e sozinho.
Ela estava preparada. Abriu as pernas e sentou-se no braço de um dos sofás.
Era boa a sensação de se esfregar contra o pano.
Teria que fazer sózinha. Era o propósito.
Gostava mesmo era de sentir a mão entrando em sua calcinha, puxando para o lado.
Masturbar era um exercício, uma brincadeira que ela sempre fez para o amante.
Adorava se exibir para ele.
Se tocar, deixando-o ver tudo.
Abrindo as pernas aos poucos, enfiando os dedos, abrindo a vagina, entrando pela frente, e deixando-o segurá-la por trás.
Mas lá estava ela imaginando, lembrando momentos.
Toda molhada de desejo, lambeu mais uma vez os dedos...
Gosto bom, mistura de vodka, lavanda e tesão.
Levantou meio anestesiada.
Estava pronta. ( ela repetia para si mesma)
Pegou o objeto...Queria sentir.
Foi colocando dentro de si, abrindo seu corpo, enfiando em sua vagina, em seu sexo molhado, quente.
Machucou-se, DEU-LHE MAIS TESÃO, o objeto era grande!
Ela abria e fechava a boca, como se pudesse engolir...
O vibrador!?!
- Onde ligava para fazer girar, ela já estava maluca, aquilo dentro dela, sua mão entrando e saindo, os movimentos ...
Uma, duas, três vezes, com força, bem fundo!
O objeto crescia dentro dela, a sua mão nos seios, ela se contorcendo, queria puxar os cabelos, já rolava pelo tapete, havia descido do sofá, e estava ali, nua, de calcinhas, com um pênis de borracha dentro dela!
Mistura de sons, a billie, sua voz, seu grito..
Mais, mais, mais... Ah... . Gozou...Era sempre assim...
Gozava e ria, era bom, é bom.
De repente, silêncio. Fim da música.
A chuva fina na janela fez com que ela sentisse o frio em seu corpo.
Enrolou-se toda, mas antes, retirou de dentro dela o objeto.
Duro, grande e sem vida, sem semem....
Ela esta seca. Estranha sensação.
Em suas transas sempre acaba toda lambuzada, pela boca, pelo sexo, pela frente, por trás.
Ela adora quando é toda possuída, mão, pênis, boca, suor, saliva.
Mas desta vez ela ficou com frio.
Ficou sem sono. Ficou seca.
Teve que reconhecer que sentia falta do peito aconchegante, das mãos que puxavam seu queixo para cima, do beijo leve na boca, do depois, do suor misturado, do sono junto.
Ela até hoje fica na dúvida.
O prazer pelo prazer?
Bom, eterna romântica, ou insatisfeita solitária?
Como já sabido, colocou Chet Baker ...
my favorite songs...the great last concert...
by Marilia / agosto 2006