Clausura - Mosteiro - São João Del Rey Estou fazendo o caminho de volta.
Santiago de Compostela as avessas.
O Mosteiro que fica na rua da Prata é um lugar misterioso,
que me passa a sensação de medo e ao mesmo tempo de prisão eterna.
Minha mãe dizia que tinhámos que passar em silêncio na porta,
para as irmãs de caridade não ouvirem sequer a nossa voz.
- mãe, mas elas ficam presas, sem sair ?
- é, rezando, vida abençoada a delas !
- como mãe, sem ver ninguém?
- nem a outra que esta do lado?
- é minha filha.
- mãe, elas que escolheram?
- ah...algumas sim, outras cometeram pecado contra a carne...
- estão aqui para serem perdoadas...
Essa conversa, é arremedo das que eu tinha com minha mãe,
quando pequena e sempre que passava em frente ao mosteiro.
Muitas vezes, fugia da casa da vovó, e tantas eu fiquei do outro lado da rua,
sentadinha no meio fio, olhando para ele, sempre fechado,
pra ver se mexia a cortina de alguma janela.
Nunca vi qualquer movimento.
Nas procissões, eu ia vestida de anjo, como minhas primas.
Ao passar diante da capela do mosteiro, todos paravam, o andor com o santo principal, o pálio Com o Santíssimo, os homens com as suas capas da irmandade e com as lanternas na mão, a música, o povo, e então, fazia-se um silêncio absoluto.
Minutos depois, da janela mais alta do claustro, aparecia uma mãozinha, delicada, rápida, que jogava uma flor, ou algumas pétalas no santo ou santa que estava sobre o andor.
Pronto.
Era o único contato, e a procissão reiniciava seu caminhar.
Uma vez, semana santa, procissão do enterro, eu menina, de anjo, fiquei parada, todos andaram.
Perdida no meio das verônicas e dos centuriões, tentei ver se mexia alguma cortina.
Não mexeu.
Eu passei infância com o pavor de cometer algum pecado contra a carne.
Só mais tarde, quando vim saber o que se tratava,
meu horror aos castigos da religião somente aumentaram!
Sábado, fui na missa de bodas dos meus tios!
No Mosteiro.
Senti como se tivesse voltado no tempo.
Olhei para cima, e... fantástico!
Lá do alto, eu vi cabecinhas de mulheres cobertas por um véu, ajoelhadas.
Assustada, meio emocionada, perguntei para minha mãe, mais uma vez:
- mãe, são elas ?
- são minha filha, o papa as liberou. Elas já podem participar da missa.
Ah, tentei ver o rosto de alguma.
Qual delas teria cometido pecado contra a carne?
Fiquei olhando pra cima, sem parar, e contei quantas cabecinhas.
Eram seis ao todo.
Ah, na minha época de menina eram muitas!!!!
Me dizeram que há anos não entra alguma pra lá.
Elas foram morrendo, e sobraram essas seis.
Quando a missa acabou, todos saíram e eu fiquei.
Ali, parada mirei meu olhar para as janelas.
Depois de alguns minutos pude ver a cortina de uma das janelas se mexendo.
Como em um palco, antes do espetáculo começar:
- abria e fechava rápido!
Pensei:
- sorte dessas últimas seis moças que já podem ver a luz do sol e a luz da lua.
Quem garante, que verão alguma luz depois de mortas?
(SJDR, outubro- 2006, última bodas do meu tio Nilton, pouco antes dele morrer.) UPDATE 1:Achei divertida a charge....
Fonte:
Blog do NoblatUPDATE 2:Amigos, vejam a beleza do post da Cris sobre o pintor Paul kleehttp://crispenaforte.blogspot.com/UPDATE 3:Acabei de receber ..vejam como será o novo World Trade Centerhttp://www.linternaute.com/savoir/world-trade-center-les-nouveaux-projets/world-trade-center-ses-futures-tours.shtmlUPDATE 4:Encore Che Guevara....http://www.linternaute.com/savoir/che-guevara-un-mythe-depuis-40-ans/che-guevara-le-mythe-a-40-ans.shtml