Layout / Art: Ana.

terça-feira, setembro 25, 2007

Meu avô Baptista

Meu avô Baptista, ou por que eu amo futebol...

Meu avô era um homem alto, magro, olhos azuis.
Ele ficava sentado horas na varanda se balançando em uma cadeira.
As vezes eu me via sentada em seus pés, e ele me balançando junto.
Ninguém falava alto perto dele.
Ele batia com a bengala se alguém assim o fizesse.

Ficou silenciosa a casa da minha avó enquanto meu avô vivia..
Mas, o que eu não sabia, era que o silencio, era o silencio da morte.

Mas aquele dia, era diferente.
O Brasil estava jogando sua última partida.
A Copa da Suécia.
A copa do Pelé.
Me lembro pouco, mas foram muitos gols, por que ele gritou diversas vezes.

A cena :
Foi uma alegre confusão e muita gritaria.
Meu avô, o radinho, a varanda, eu, minha prima Yara.
Tio Gugu, tia Bety, tio Pepeda.
Meu avô falando alto.
Meu avô sorrindo...
Ele tinha os olhos brilhantes, duas pedras azuis.
Com lágrimas escorrendo, quase as gargalhadas.
Eu ria também...
Me jogavam para o alto.
Eu passava de colo em colo.
Foi a última vez que eu vi meu avô Baptista rir.
Foi a única vez que ouvi meu avô gritar.
EH campeão!!!
tenho certeza que foi naquele dia que eu aprendi a gostar da alegria do futebol.
Futebol que me trás sorriso e lágrimas.
Futebol que fez meu avô feliz.
( by Idy, maio/2006)

update:
Acabei de receber da Mônica Alvarenga...
Achei simplesmente lindo!!!!!!!!!!

Assunto: fatia de vida...

..Presa em seu quarto (havia algumas horas) chorava uma dor inominável. A solidão que sentia brotava do fundo de sua alma e escorria em suas faces rosadas, enrugadas e cansadas de tanto soluço. Fatigada de tanto chorar, se olhava no espelho e tentava decifrar aquele enigma. O esforço em vão não a impedia de ser ela própria devorada pela própria dor que insistia em lhe fazer companhia. A janela aberta era a única liberdade que ousava lhe convidar. Convívio funesto e terrível a mureta de mármore mostrou-se acolhedora. Sentou-se com as pernas para fora. Sentiu o ar tocando em seus lábios, que secos, tentavam gritar. Não havia um barulho sequer. As gaivotas ao longe nem supunham o que aquele corpo ágil fazia ali se balançando para frente e para trás reivindicando uma fatia de vida qualquer. Fatia de vida que ela soube reconhecer assim que escorregou e caiu para dentro do quarto...
bj / mo


UPDATE II:

SOLIDARIEDADE SEMPRE.

A Lucy tomou a iniciativa de falar, no seu post do dia 12/09, na esperança de ajudar no caso ANA VIRGÍNIA, eu tomei conhecimento nesses últimos dias e prometi fazer a minha parte.Para quem não sabe, resumindo, o caso é o seguinte:Ana Virgínia é uma brasileira que tinha por namorado um português, foi para Portugal, e lá ao ministrar um medicamento ao seu filhinho, medicamento este já conhecido dela, e receitado por médico brasileiro, a criança sofria de epilepsia, ele em uma crise, se engasgou com a medicação e veio a falecer.Ana Virgínia foi presa, acusada da morte do filho, que teve o corpo trasladado para o Brasil, ela nem pode acompanhar o velório. Foi e tem sido torturada na prisão, perdeu os movimentos do braço, está perdendo parte da memória, e o namorado, claro, o cafajeste, sumiu, deixou a moça na boca do leão.A família aqui no Brasil esta desesperada, sentindo-se com as mãos atadas.Muitos amigos entraram nesta corrente de solidariedade, na intençao de reforçar os pedidos de ajuda.Já foi sujerido um grande abaixo-assinado, e hoje já vi no post da Luci, que a irmã autoriza essa iniciativa, está melhor explicado lá.

8 comentários:

Anunciação disse...

Lembrei do papai ouvindo no radio as partidas em que meu primeiro time do coração foi o sampaio corrêa futebol clube,"a bolivia querida de maior torcida nesse maranhão".Só que ele ainda está,ainda bem vivo e continua gostando de futebol.

Ana disse...

Ai Marília, que cena mais fofa!
Fico imaginando vc pequenininha... Quer dizer, nem tão pequenininha assim, né dotorinha, pq mínima vc já é! rsrsrsrs :D
Lembro-me da Copa de 86, que o Zico perdeu um penalti, lembra? E eu tinha 6 anos... Nessa época eu pensava que penalti era o nome do melhor jogador do mundo, pq ele sempre fazia gols! uahahahaha
Beijos
Ana
www.mineirasuai.blogspot.com

Sandra disse...

Essas lembranças fazem um bem... Daqueles que apertam o coração. De saudades... De alegria por ter vivido.

Beijos

Maria Augusta disse...

O futebol no Brasil está sempre misturado a momentos fortes, a muitas lembranças. Muito bonito este post sobre teu avô, Marília.
Um beijo e um bom dia.

O Meu Jeito de Ser disse...

Doces lembranças que nos viram pelo avesso, nos fazem prestar atenção em cada detalhe de nós mesmos.
Um auto conhecimento a partir de uma lembrança.
Um beijinho

Sonia disse...

Futebol em minha família está no sangue. Meu avô materno, que não conheci, foi dos primeiros sócios do Fluminense, que hoje entrou pra DNA da família. Cresci ouvindo falar em futebol - contei em um post antigo como, em pequena, ia aos estádios com meus pais e meus tios. Meu irmaõ Sergio, tricolor doente como todos nós, volta e meia dá um jeito de meter o Nense em seus contos e dele fala em quase todas as entrevistas.
Quanto ao caso da Luci, não consegui abrir o link. Não seria caso de divulgar em jornais para que o governo brasileiro acompanhe o caso?

Veridiana Serpa disse...

Oi Marilia, um tempinho atrás vc peguntou sobre o Queimando Filme, é uma iniciativa do Fernando do Cronicanet, a idéia é as pessoas tirarem fotos de fatos/situações que os deixam indignados e publicar em seus blogs, você pode ler mais no blog dele nesse post http://cronicanet.com.br/blog/?p=214

Karina disse...

Sempre gostei de futebol e da alegria q ele traz. Q linda lembrança essa sua.
Hoje assisto com meu marido as partidas, mas sinto falta das longas conversas entre ele e meu sogro sobre os jogos (meu sogro nos deixou, virou luz ano passado). Mesmo assim, acredito q qdo tivermos uma criança na família o encanto vai voltar. :o)
Bjinhos