Layout / Art: Ana.

quarta-feira, novembro 29, 2006

A Casa dos Alvarengas

A Magia
Dizem que os palhaços são pessoas abençoadas pelo fato de nos fazerem rir.
Mas eu digo, que abençoados também são os mágicos de circo.
E digo mais, viva o circo!
Não consigo me lembrar de alguma festa na casa de meus pais, e mais tarde na minha - aniversário das meninas - que não tivesse um mágico para animar, um palhaço para alegrar.
Para meu pai, festa sem mágico é festa ruim....
Até hoje, quando aparece algum na televisão ele me liga, excitado:
- filha, olha o canal "x"!Tem um mágico lá! é um espetáculo! como ele consegue?
Sei que naquele dia, meu pai vai dormir mais feliz!
Eu já perdi a conta de quantos circos fui na minha vida!
Cácá é o apelido do meu tio.
Irmão caçula do meu pai, ele é sem dúvidas, uma das pessoas mais divertidas que conheço.
Me recordo , eu menina ( licença meu poeta...), e tio Cácá me levando com as outras primas para a TV Tupi, Rio de Janeiro, furando fila e empurrando para nos colocar na platéia do circo do palhaço Carequinha, onde ele, meu tio era quase parte do espetáculo de tanto gosto demonstrava...
Ele nos levava também para ver o palhaço "Chocolate", que gritava assim:
- e ai criançada!! galinha no "chôco, cachorro num late"èeeeeee, o Chocolate!!!
Nós íamos ao delírio.
Ah, meu pai e meus tios são apaixonados por circo e pela magia que envolve aquelas lonas.
Eles ficam com os olhos brilhando, sorriso que não sai dos lábios, e aclamam, vibram, participam, e se extasiam com o simples tirar um lenço de uma cartola!
Aplaudem, são um público único, pois olham para os artistas com olhar apaixonado, eterna primeira vez! E, coincidência ou circunstâncias, talvez força vinda da alegria, pois ser alegre e ter mania de ser feliz é natural entre nós, eles amam e vivem a vida com emoção e paixão. Não se rendem, e como os palhaços, também choram, mas buscam no riso a força para superar as adversidades.
Eu acredito em fadas porque meu pai me ensinou a ver a mágica.
Eu acredito na felicidade e na possibilidade.

Nunca vou esquecer a cena - festa das bodas do tio Nilton - tio Cácá com o dedo em cima da cabeça do meu pai, falando:
- roda , Baixinho, roda..
E meu pai se acabando, dançando, rindo e girando como piorra, enquanto meu tio Nilton enxugava as lágrimas de tanto rir apoiado pelo tio Osvaldo, que , empolgado, veio entrar na roda e girar também...
A casa dos Alvarenga - livro III

Idy - Setembro 2006

5 comentários:

Anônimo disse...

Ydi..assim vc me mata.....fica com os olhos cheios de lágrimas, primiero pq. me recordo perfeitamente da cena da festa.....foi lindo ver o papai todo feliz se divertindo com a dança e a alegria dos irmãos...ele falava: " eu gosto de ver o Walter assim...." e segundo porque ler seus textos são como já disse e repito, uma parte deliciosa dos meus dias....com certeza meu dia fica muito melhor....
amor,
Maria Amalia

Yvonne disse...

Que gostoso esse post. Carequinha faz parte da minha vida. Beijocas

Gdá disse...

Ydi, você é o máximo mesmo!!! Parabéns!!! seus textos são tudo de bom!!! o Carequinha tb é do meu tempo, mamãe cantava prá mim, o bom menino não faz xixi na cama... olha que vida lembrar e o papai cantava prá eu dormir, pai Francisco entrou na roda, tocando seu violão... Amor, como a Méia disse, meus olhos tb encheram dágua, parece mesmo que estou na festa vendo tudo, o filme está passando todinho no meu crânio, ai meu Deus!!! Amor, valeu!!! você é 10!!!!!!! beijos e que saudades do meu tio!!!

De disse...

Idy , vc não existe !!!
Cara, como vc percebe as nuances das situações... incrivel sua percepçao !!!
Adoro ler suas observações em relação ao cotidiano da nossa família.

Parabéns !!!! adorei....

te amo
de

Anônimo disse...

NSU - 4efer, 5210 - rulez