New York, New York -I-Essa historia é verdadeira, e pra variar aconteceu comigo!
Enfim , reveillon em NY com a Mali - sonho de consumo dela!
Malas enfileiradas, passaporte nas mãos, sorrisão na cara, check-in em Confins.
- Autorização, senhora, me diz a atendente. - Que autorização?
- A do pai da criança, senhora! Criança menor não sai do país sem autorização, quando está apenas com um dos genitores.... Confusão armada! Claro que eu tinha esquecido a porra do papel!
Chôro, correria, liga pro pai, o moço tá no plantão, CTI!
Me jogo aos pés dos agentes federais, choro lágrimas de mãe, imploro, ligo pra juiz amigo, pra desembargador, NADA.
Única concessão : - o pai teria que comparecer, em Confins, "munido" de seus documentos, e assinar uma declaração de autorização sob as penas da lei...
Mais desespero, porque o pai não atendia o celular! O aeroporto inteiro já envolvido no caso.
Consigo, bondade extrema das atendentes, trocar as passagens para chegar em São Paulo mais tarde!
Ok, mas e o pai??? Cadê o pai da criança? Pelo amor de Deus, Pai, atende o celular!!!!
O pai atendeu. Imaginem o que eu ouvi. Podem dobrar. Foi muito mais.
Claro que o Alexandre chegou a tempo em Confins, onde foi recebido por um monte de gente que respirou aliviada, e, literalmente, sob uma salva de palmas , adentrou na Policia Federal!
Enfins, salvas, apesar dos olhares fulminantes que ele me enviou, lá fomos rumo ao reveillon!
New York, New York - II -Pensam que acabou? Ledo engano!
29 de dezembr0 2004, voo da TAM cheio, eu e Mali, "esprimidinhas" - classe econômica- diretas para NY.
Chegada gloriosa, frio total, lá vamos nós pra "line amarela, fazer a duane", ou seja , passar pela imigração.
Tava tudo de alerta vermelho. Véspera de reveillon, mais de milhões de turista, sem contar os japoneses. Cidade lotada, e os caras lá, morrendo de medo de atentados, passando pente fino em todo mundo...
Tira bota, abre bolsa, mostra mala, e chega a vez de mostrar o passaporte.
A Mali, toda lindinha, passa primeiro, coloca os dedinhos direitinho onde o homem manda e é carimbada.
Ai vou eu. Realmente, eu entendo ingles, quando o povo "speak slowly..."
Mas, o cara começou a falar super depressa pelo microfoninho, e eu num tava entendendo nada.
Foi necessário dar-se inicio a comunicação por sinais. De cara coloquei o dedão num pratinho meio prateado e vi que tava certo. - ok, fala o cara lá de dentro da cabininha, e continua falando pra mim...: -- now... other, e me mostrando o indicador.... ahn...entendi... ! Coloco o indicador lá também.
Mas, alguma coisa não deve ter dado certo, porque o moço me manda colocar o dedo lá de novo...
Coloco. Encore, nada. Ele então começa a falar mais depressa!
A Mali, filhinha linda, que sabe ingles, vira pra mim, e diz,: - mãê, o moço ta falando... Olho pra ela, e falo quase gritando : -Perai Mali, cala a boca pelo amor de deus, num ta vendo que tô nervosa? Tô sem entender nada, perai! Nessa hora, o americano pega seu dedo indicador e começa a esfregar na testa ( dele é claro). Eu, já me sentindo meio idiota com a situação, coloco meu dedo na testa e fico rodando, igual ao homem...
Ai ele diz : - now, here! E aponta pru pratinho... Gente, sabem o que eu fiz? Era tanta aflição e pressa, que eu, em vez de colocar o dedo, desci com a testa, e meti ela no tal do pratinho... Voces não imaginam as gargalhadas! Sabe quando voce faz uma coisa e em um miléssimo de segundo percebe que fez a coisa errada??? Voces podem imaginar minha reação! Fiquei puta, e falei bem alto e em portugues : - Pô, cara, pelo amor de Deus, onde voce quer que eu coloque esse dedo..
Bom, final do caso. Atrás de mim, uma fila de brasileiros, e as respostas foram lugares dos mais variados, acompanhadas de risadas. A polícia teve de mandar o povo calar a boca! O guardinha, que tava me explicando e pegando minhas digitais, ria tanto, que só falava : - go, go, no problem... E eu, morrendo de raiva e também de rir, adentrei nos
unaites estetis sem deixar minha digital indicadora, sob mil gargalhadas e um olhar terrivel da Mali, que , coitadinha, tentou o tempo inteiro traduzir pra mim, que o moço tava dizendo : - meu dedo estava seco, e passando na testa ele pegaria oleosidade e a impressão sairía. IMAGINEM ... se eu ia entender tanto ingles??? mais nunquinha...
Agora, toda vez que vou entrar lá, já lambo os dedos todos! Mas, a viagem foi especial, e a gente riu muito, e passamos um super Reveillon, estilo Ny, Ny....